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Autarcas e empresários dizem que destruição no Médio Tejo “é idêntica à de Leiria” e exigem respostas mais robustas na reposição da rede elétrica

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Os autarcas do Médio Tejo alertaram na terça-feira, dia 10 de fevereiro, numa conferência de imprensa realizada na CIM Médio Tejo, em Tomar que, 14 dias após a tempestade, milhares de pessoas e centenas de empresas ainda estão sem energia elétrica, criticando a lentidão na reposição e defendendo uma ação mais robusta nos concelhos de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar.
“Estamos a poucas horas de completar 15 dias desde esta tempestade que arrasou os concelhos do Médio Tejo, naturalmente mais uns do que outros. Ainda enfrentamos muitas fragilidades, sobretudo na reposição da rede elétrica, com milhares de habitações sem electricidade, sem comunicações. Urge uma ação mais robusta capaz de resolver esta situação nos próximos dias”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara de Abrantes.
Acompanhado pelos autarcas dos três municípios do Médio Tejo mais afetados pela tempestade, Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar, e por representantes de empresários, AIP e NERSANT, destacou que a região vive uma realidade crítica, 14 dias depois, com inúmeros problemas por resolver e pouca ajuda visível no terreno.
“A demora na reposição da energia e das telecomunicações tem consequências devastadoras para a vida das pessoas, para as empresas e para toda a economia local. É tempo de dizer que alguém tem que tomar atenção e ouvir o que estamos a dizer, porque 15 dias é muito tempo para continuarmos com este problema do restabelecimento da rede elétrica na nossa região. É a economia e a vida das pessoas que está aqui em jogo”, apelou.
– Noticia desenvolvida na edição semana

Editorial – Não é tempo para insultos

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Tenho evitado pronunciar-me sobre o que se tem passado nas redes sociais. Não por indiferença, mas por prudência. Ainda assim, hoje senti que devia partilhar aquilo que me vai no coração. Os editoriais existem precisamente para isso: para dar opinião, com responsabilidade e sentido cívico.
E o que tenho assistido nas últimas duas semanas – lembrando, em muitos aspetos, os tempos mais duros da pandemia – é profundamente inquietante. Isto, porque há pessoas que estão, neste momento, a passar muito mal. Pessoas que ficaram sem praticamente nada. Pessoas que não conseguem tomar um banho quente, aquecer uma refeição ou garantir o mínimo de conforto. Pessoas que sobrevivem, muitas vezes, apenas graças à ajuda solidária de um vizinho, porque os meios institucionais tardam ou simplesmente não chegam. Onde estão esses meios? Confesso que não sei. Também não os vi no terreno, pelo menos nas dezenas de aldeias por onde passei em reportagem. Isso não significa que não existam, acredito – e espero verdadeiramente – que estivessem noutros lugares. A realidade, muitas vezes, é mais vasta do que aquilo que conseguimos alcançar.
“Então porque não vêm aqui?! Também estamos mal…” – perguntam-me. Por vontade própria, iria a cada aldeia das 12 freguesias do concelho de Tomar. Mas isso é humanamente impossível. Há limites físicos, humanos e profissionais. E é importante termos a humildade de reconhecer a nossa própria insignificância perante a dimensão dos problemas.
O que claramente não estamos a viver é um tempo para insultos. E, no entanto, é isso que mais se vê. Se alguém limpa, é porque limpou. Se não limpa, é porque não fez nada. Se se apoia, critica-se quem recebe. Se não se apoia, critica-se quem não deu. Faça-se o que se fizer – ou deixe de se fazer – parece que haverá sempre um coro pronto a condenar.
Para não me alongar mais, recordo uma história popular que aprendi nos bancos da escola primária e que aqui deixo, porque continua atual.
O VELHO, O RAPAZ E O BURRO
Era uma vez um velho simpático que vivia no cimo de um monte. Certo dia decidiu descer à vila em aventura, levou consigo um burro que pastava à deriva no mato e um rapaz seu vizinho.
Seguiam a pé, o rapaz à frente, seguido do burro, e atrás o velho. Ao passarem por uma povoação, logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem.
– Olha aqueles patetas, com um burro e vão a pé.
O velho disse ao rapaz que montasse no burro e este assim fez, com os olhos esbugalhados e ar triunfante, pois nem nos seus melhores sonhos imaginou que lhe fosse possível participar em tal aventura. Um pouco mais adiante, passaram junto de outras pessoas que logo disseram:
– O garoto que é forte montado no burro e o velho, coitado, é que vai a pé.
– Então o velho mandou apear o gaiato e com alguma dificuldade lá montou ele o burro.
Andaram um pouco mais até que encontraram outras pessoas e mais uma vez foram censurados:
– Olhem para isto! O pobre rapaz a pé e ele repimpado no burro…
Ordenou então o velho a contragosto ao catraio:
– Sobe, rapaz. Seguimos os dois montados no burro.
O rapaz, que era tudo o que queria, obedeceu de imediato e continuaram a viagem, mas um pouco mais adiante um grupo de pessoas enfrentou-os com indignação:
– Apeiem-se, seus abusadores! Querem matar o burrinho?
Descendo do burro, com ar aliviado, disse o velho ao rapaz:
– Desce. Continuamos a viagem como começamos. Está visto que alguma coisa está errada e não podemos calar a boca do Mundo.
Então o burro, já derreado, zurrou de alívio, pois a carga era pesada…
Diz-se que nunca mais voltou a ser o mesmo.
Moral da história: cada cabeça, sua sentença… Por isso, ao invés de usarmos as nossas mãos para insultarmos e criticarmos o outro, escondidos atrás de um teclado, que tal usarmos as mãos para as estendermos ao outro?
Elsa Ribeiro Gonçalves
Chefe de Redação
Jornal Cidade de Tomar

Tomar cancela todas as iniciativas do Carnaval

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O Município de Tomar decidiu cancelar todas as iniciativas previstas no âmbito do Carnaval da cidade, na sequência da situação excecional vivida no concelho e no país, provocada pelas recentes intempéries associadas à Depressão Kristin.

A decisão foi tomada em articulação com a Tomar Iniciativas, entidade organizadora, tendo em conta o atual contexto de resposta a ocorrências, os prejuízos já registados e o respeito pelas pessoas e famílias afetadas por situações de maior gravidade.

Segundo a autarquia, neste momento a prioridade está centrada na segurança, no apoio à população e na recuperação do concelho, pelo que não estão reunidas as condições necessárias para a realização das festividades carnavalescas.

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Para muitas aldeias de Tomar… a tempestade ainda não acabou

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Elsa Ribeiro Gonçalves (Texto)
Zé Paulo Marques (Fotos)
Perante o caos, por onde começar? Começa-se pelo início. Quarta-feira, 28 de janeiro. 07h00. Acordar na cidade de Tomar assemelhava-se a despertar num cenário de hecatombe. Tempestade? Chamemos as coisas pelos nomes, porque o que provocou tamanha devastação no concelho e na região não foi uma simples combinação de chuva e vento. Houve quem arriscasse a palavra ciclone, quem falasse em tufão. Os mais antigos diriam que “andou por aqui o diabo à solta”, porque nunca tinham visto nada assim. E, para muitas aldeias, a tempestade ainda não acabou pois são ainda muitos lugares que, à hora de fecho desta edição, continuavam sem o básico.
Sem eletricidade e sem comunicações, fomos para a rua documentar o que era possível e tentar recolher informação. Pouco depois, começaram a chegar os pedidos dos leitores: “Venham às aldeias”. E fomos. Partimos a imaginar o pior, depois de vermos algumas fotografias que chegavam a conta-gotas, e após garantirmos mais uma edição na gráfica – para não interromper os 90 anos de publicações ininterruptas do Jornal Cidade de Tomar. Sabíamos que o foco mediático estava em Leiria, praticamente destruída, e de Tomar pouco ou nada se falava na televisão nacional. Mais tarde, viria a confirmação: mais de 60 concelhos entravam em Estado de Calamidade, entre eles Tomar e muitos do Médio Tejo. Desistimos de saber, por antecedência quando aconteciam a reuniões de Proteção Civil ou a vinda de ministros a Tomar pois a informação chegava-nos sempre a posterior.
“Venham às aldeias.” E metemo-nos ao caminho. Pelo meio, árvores arrancadas, uma chuva incessante, postes tombados que pareciam prestes a cair a qualquer momento. Numa primeira fase, a repórter que assina estas linhas aventurou-se sozinha. Dias depois, percebendo que talvez não fosse sensato permanecer sob árvores instáveis sem qualquer apoio por perto, pediu ajuda- humildemente – e contou com a colaboração do autor das fotografias desta reportagem, Zé Paulo Marques.
– Leia a reportagem na edição em papel que vai esta quinta-feira para as bancas

Ministra da Cultura assegura reconstrução da Charolinha até final de 2027

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A Charolinha da Mata dos Sete Montes, monumento quinhentista de elevado valor histórico e simbólico para Tomar, será reconstruída até ao final de 2027, na sequência da destruição quase total provocada pela depressão Kristin. A garantia foi deixada pela Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, durante uma visita de trabalho ao concelho, realizada na terça-feira, 3 de fevereiro.

A governante esteve no terreno para avaliar os estragos causados pelo temporal, acompanhada pela sua equipa técnica, pelo presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, e pela diretora do Convento de Cristo, Andreia Galvão. A visita incluiu o Convento de Cristo – Património Mundial da UNESCO – e a Mata dos Sete Montes, zona particularmente afetada pela queda de árvores.

Na Mata, a Charolinha destacou-se como um dos casos mais graves. Construída no século XVI, funcionava como “casa de fresco” dos monges, integrando pontos de água associados à oração e ao recolhimento. A queda de várias árvores de grande porte provocou a destruição quase integral da estrutura.

Segundo estimativas técnicas preliminares, a recuperação da Charolinha deverá implicar um investimento na ordem dos 250 mil euros. Já os danos registados no Convento de Cristo — que incluem a destruição de um vitral, o desprendimento de duas gárgolas e prejuízos significativos na envolvente arbórea, como o laranjal histórico poderão ascender a cerca de 500 mil euros. Ambas as intervenções deverão ser enquadradas no fundo nacional de 20 milhões de euros criado pelo Governo para a recuperação do património cultural afetado por intempéries.

Calamidade declarada em Tomar após estragos causados pela depressão Kristin

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O Governo da República Portuguesa declarou a Situação de Calamidade no concelho de Tomar, na sequência dos elevados prejuízos provocados pela depressão Kristin, que causou danos significativos em infraestruturas, serviços essenciais e bens de pessoas e famílias. A decisão encontra-se formalizada na Resolução do Conselho de Ministros n.º 15-B/2026, de 30 de janeiro, estando em vigor desde as 00h00 do dia 28 de janeiro até às 23h59 do dia 1 de fevereiro de 2026, com possibilidade de prorrogação caso a situação o venha a justificar.
A Situação de Calamidade corresponde ao nível máximo de intervenção previsto na legislação de proteção civil e é aplicada quando a gravidade de um acidente ou catástrofe exige a adoção de medidas excecionais para a proteção de vidas humanas, a prevenção de riscos adicionais e o restabelecimento das condições normais de vida das populações. Com esta declaração, as autoridades passam a dispor de poderes reforçados que permitem uma atuação mais célere e eficaz no apoio às populações afetadas e na recuperação das áreas atingidas.
No concelho de Tomar, a medida possibilita a atribuição de apoios de emergência às populações mais afetadas, incluindo o acesso a bens essenciais, alojamento temporário e cuidados de saúde, bem como apoio às famílias das vítimas mortais e às pessoas que sofreram ferimentos graves. Está igualmente prevista a reparação e reconstrução de infraestruturas públicas e equipamentos municipais, a concessão de apoios financeiros a famílias e empresas, em complemento às indemnizações dos seguros, e a implementação de ações destinadas à contenção de impactos ambientais e à recuperação do património natural e cultural.
Durante a vigência da Situação de Calamidade, todos os cidadãos, residentes e entidades privadas da área abrangida ficam obrigados a colaborar com as autoridades de proteção civil, a cumprir rigorosamente as ordens e orientações emitidas e a respeitar eventuais restrições temporárias à circulação ou permanência em zonas consideradas de risco. A recusa em obedecer a ordens legítimas das autoridades pode constituir crime de desobediência, nos termos da legislação em vigor.
A declaração permite ainda, quando estritamente necessário, o acesso de agentes de proteção civil a propriedades privadas e a utilização temporária de recursos naturais ou energéticos de natureza privada, com o objetivo de assegurar a reposição da normalidade. O Município de Tomar apela à calma, à solidariedade e à cooperação de toda a população, recomendando que sejam seguidas atentamente as indicações das autoridades, que se evitem deslocações desnecessárias e zonas perigosas e que a informação seja acompanhada exclusivamente através de fontes oficiais.

Câmara Municipal de Tomar disponibiliza balneários para apoiar população sem água a tomar banhos quentes

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Na sequência das falhas no abastecimento de água registadas em algumas zonas do concelho, a Câmara Municipal de Tomar ativou medidas de apoio à população, disponibilizando os balneários do Complexo Desportivo Municipal (Piscinas) para assegurar o acesso a banhos quentes aos munícipes afetados.
O equipamento estará disponível esta sexta-feira, 30 de janeiro, das 8h00 às 22h00, com entrada pela porta lateral do edifício, situado na Estrada do Barreiro.

Disponibilizado espaço de coworking no Convento de São Francisco, para munícipes sem eletricidade

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Face aos constrangimentos provocados pela falta de energia elétrica em várias zonas do concelho, a Câmara Municipal de Tomar está a disponibilizar um espaço de coworking com eletricidade e acesso à Internet, destinado a apoiar os munícipes afetados.
O espaço funciona na sede da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM Médio Tejo), situada no Convento de São Francisco, na Várzea Grande, em Tomar, e estará disponível a partir de hoje, entre as 9h00 e as 17h00. A medida pretende garantir condições mínimas de trabalho aos cidadãos que, devido à falha no fornecimento elétrico, se encontram impossibilitados de cumprir as suas obrigações profissionais a partir de casa.
A utilização do espaço carece de inscrição prévia, a realizar através de formulário próprio:
Com esta iniciativa, procuram-se mitigar os impactos causados pela falha energética, enquanto decorrem os trabalhos de reposição da normalidade no concelho.

Município de Tomar ativou Plano Municipal de Emergência após a passagem da tempestade Kristin

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O Município de Tomar ativou o Plano Municipal de Emergência e colocou o concelho em estado de alerta, na sequência dos danos provocados pela passagem da tempestade Kristin, que deixou um rasto de destruição generalizada em todo o território.

Segundo informação divulgada pela autarquia, registou-se “um cenário de grande devastação”, marcado pela queda de um elevado número de árvores, destruição de várias estruturas, derrocada de muros, acumulação de detritos e destroços nas vias públicas, bem como pela existência de estruturas em risco de queda. Esta situação está a condicionar a circulação rodoviária e obriga a cuidados redobrados por parte da população.

Ao nível dos serviços essenciais, praticamente todo o concelho ficou sem fornecimento de energia elétrica, à exceção da zona central da cidade. Verificaram-se ainda falhas generalizadas nas telecomunicações, tanto nas redes móveis como fixas, bem como constrangimentos no abastecimento de água, em parte resultantes da falta de energia nas estações elevatórias. De acordo com o município, os serviços de saúde mantêm-se a funcionar normalmente.

Até ao momento, não existe previsão para a estabilização do fornecimento de energia elétrica, face à dimensão dos estragos registados. As equipas da E-Redes encontram-se no terreno a desenvolver todos os esforços para a reposição do serviço.

No terreno estão igualmente mobilizados vários meios e entidades, nomeadamente os serviços municipais, a Proteção Civil, os Bombeiros com reforço proveniente da Área Metropolitana de Lisboa, as Juntas de Freguesia, a PSP, a GNR e os Sapadores Florestais. Estas equipas estão a trabalhar de forma contínua na remoção de obstáculos, sinalização de zonas perigosas e reposição gradual da normalidade, estando também assegurado o acompanhamento social às famílias que dele necessitem.

O município alerta ainda para a manutenção de condições meteorológicas adversas, com previsão de continuação de precipitação nas horas seguintes, o que dificulta os trabalhos em curso.

A autarquia apela à população para que evite deslocações desnecessárias, não circule em zonas com árvores caídas, detritos ou estruturas instáveis, permaneça, sempre que possível, em segurança nas suas habitações e siga rigorosamente as indicações das autoridades.

Face aos constrangimentos nas linhas fixas, o Município de Tomar recomenda a utilização preferencial dos contactos móveis 964 812 298 e 912 456 811, garantindo que continuará a acompanhar de forma permanente a evolução da situação, tendo como prioridade absoluta a segurança das pessoas, a proteção dos bens e a recuperação gradual da normalidade.

Câmara de Tomar aprova orçamento de 65,95 milhões de euros

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A Câmara Municipal de Tomar aprovou, na reunião de segunda-feira, 26 de janeiro, o orçamento para 2026, no valor de 65,95 milhões de euros, o que representa um aumento de cerca de 12% face ao orçamento do ano anterior. O documento foi aprovado com os votos favoráveis do PSD e do Chega e a abstenção do PS.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão (PSD), o orçamento agora aprovado assume-se como “de transição e de execução”. De acordo com o autarca, trata-se de um orçamento de transição por corresponder ao início de um novo ciclo de governação e por integrar compromissos herdados, nomeadamente obras em curso e investimentos já programados e financiados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do Portugal 2030.
Em simultâneo, sublinhou, é um orçamento claramente orientado para a execução, considerando que 2026 terá de ser “necessariamente um ano de execução” desses investimentos. Nesse sentido, Tiago Carrão destacou como prioridade absoluta a concretização dos projetos financiados pelo PRR, tendo em conta os prazos apertados associados a este programa, bem como o avanço dos investimentos previstos no Portugal 2030.
– Notícia desenvolvida na edição semanal