Elsa Ribeiro Gonçalves (Texto)
Zé Paulo Marques (Fotos)
Perante o caos, por onde começar? Começa-se pelo início. Quarta-feira, 28 de janeiro. 07h00. Acordar na cidade de Tomar assemelhava-se a despertar num cenário de hecatombe. Tempestade? Chamemos as coisas pelos nomes, porque o que provocou tamanha devastação no concelho e na região não foi uma simples combinação de chuva e vento. Houve quem arriscasse a palavra ciclone, quem falasse em tufão. Os mais antigos diriam que “andou por aqui o diabo à solta”, porque nunca tinham visto nada assim. E, para muitas aldeias, a tempestade ainda não acabou pois são ainda muitos lugares que, à hora de fecho desta edição, continuavam sem o básico.
Sem eletricidade e sem comunicações, fomos para a rua documentar o que era possível e tentar recolher informação. Pouco depois, começaram a chegar os pedidos dos leitores: “Venham às aldeias”. E fomos. Partimos a imaginar o pior, depois de vermos algumas fotografias que chegavam a conta-gotas, e após garantirmos mais uma edição na gráfica – para não interromper os 90 anos de publicações ininterruptas do Jornal Cidade de Tomar. Sabíamos que o foco mediático estava em Leiria, praticamente destruída, e de Tomar pouco ou nada se falava na televisão nacional. Mais tarde, viria a confirmação: mais de 60 concelhos entravam em Estado de Calamidade, entre eles Tomar e muitos do Médio Tejo. Desistimos de saber, por antecedência quando aconteciam a reuniões de Proteção Civil ou a vinda de ministros a Tomar pois a informação chegava-nos sempre a posterior.
“Venham às aldeias.” E metemo-nos ao caminho. Pelo meio, árvores arrancadas, uma chuva incessante, postes tombados que pareciam prestes a cair a qualquer momento. Numa primeira fase, a repórter que assina estas linhas aventurou-se sozinha. Dias depois, percebendo que talvez não fosse sensato permanecer sob árvores instáveis sem qualquer apoio por perto, pediu ajuda- humildemente – e contou com a colaboração do autor das fotografias desta reportagem, Zé Paulo Marques.
– Leia a reportagem na edição em papel que vai esta quinta-feira para as bancas