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José Vidal: “O mundo dos vinhos é exigente e está em permanente evolução”

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Ana Isabel Felício
Ana Isabel Felício
Comecei a trabalhar no Jornal Cidade de Tomar em 1999. Já lá vão uns anitos. Depois de sair da Universidade e de todas as dúvidas e dificuldades que surgem, foi-se construindo um caminho de experiência, com muitas situações, muitas pessoas, muitas aventuras e, claro, muito trabalho. Ao fim de todos estes anos, apesar de todos os percalços que a vida nos vai dando, cá estou, todos os dias a fazer o meu trabalho o melhor que sei, aprendendo com os que me rodeiam e também ensinando alguma coisa.

José Vidal, 73 anos, foi, recentemente, distinguido com o Prémio Carreira, na Gala dos Vinhos do Tejo 2021, iniciativa da CVRTejo e da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo. O Jornal/Rádio “Cidade de Tomar” falou com José Vidal sobre os quase 50 anos de dedicação ao Casal das Freiras e à agricultura.

Cidade Tomar – Como surgiu o Casal das Freiras e a sua ligação a este espaço?

José Vidal – O Casal das Freiras é uma propriedade de família desde 1882. Eu nasci em Ovar, mas desde pequeno que o meu coração andou para aqui. O meu bisavô era natural de Ovar, onde viveram os meus avós, pai e mãe. No final do século XIX, o meu avô tinha negócios em Ovar, mas, devido à Filoxera (doença das vinhas), veio para sul à procura de vinhos e, na data, também negociava com figos e adquiriu a quinta. Eu, que era o único rapaz da geração, sempre gostei do campo e nas férias vinha sempre para cá. Eu estudava no liceu, em Aveiro, mas, nas férias a minha mãe mandava-me arrumar o quarto e metia-me no comboio para aqui, o que para mim era uma alegria, pois gostava de andar à passarada, jogar à bola e também ajudava o meu pai no trabalho do campo. Depois do serviço militar, em Angola, em 1971, vim para uma vindima, uma campanha de azeitona e fiquei até hoje.

Distinção na Gala dos Vinhos do Tejo 2021

– Fez o serviço militar em Angola, gostava de voltar para visitar?

Voltar para visitar não. Para quem lá esteve, foi um período marcante, criou-se um grupo e uma camaradagem e os horizontes africanos são largos em termos da natureza. Eu estive no mato, em combate e foi algo que sempre me marcou. Não devemos esquecer o passado, mas há situações que guardamos só para nós.

– Então, depois deste período dedicou-se à agricultura?

Tive a sorte de o meu pai ter uma boa propriedade agrícola e era necessário alguém para tomar conta da mesma e isso era algo que fazia parte da minha vocação. Além de que tinha três irmãs e era eu que lidava com a parte prática e com a maquinaria.

(…)

Ana Isabel Felício/Elsa Lourenço

Uma entrevista para ler na íntegra na edição impressa desta semana, 26 de novembro.

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