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91 anos de voz regional
Assinalar os 91 anos do Jornal “Cidade de Tomar” é reconhecer a força de uma comunidade que nunca deixou de acreditar no seu território. Ao longo de quase um século, este semanário acompanhou as transformações de Tomar, do Médio Tejo e do Ribatejo, registando memórias, dando voz a pessoas e instituições e ajudando a construir identidade regional.
Escrevo estas linhas na qualidade de Presidente da NERSANT, mas também como Tomarense que acredita que não há desenvolvimento sustentável sem uma comunidade informada, exigente e participativa. Uma região que ambiciona ser uma verdadeira “Wise Region” – inteligente, colaborativa, capaz de aprender com os seus dados, com as suas empresas e com as suas pessoas – precisa de um ecossistema de comunicação regional forte, plural e comprometido com o interesse público.
Num tempo marcado pela desinformação, pelas redes sociais e pela fragmentação das audiências, a comunicação social regional assume uma importância estratégica redobrada. E é também através de órgãos como o “Cidade de Tomar” que a agenda económica da região chega ao cidadão: investimentos, oportunidades para as PME, inovação, internacionalização, projetos apoiados por fundos europeus e iniciativas da comunidade intermunicipal ou das associações empresariais.
A visão da NERSANT assenta numa região mais competitiva, coesa e inovadora, em linha com o conceito de Wise Region: um território que articula municípios, empresas, institutos politécnicos, parques de ciência e tecnologia, comunicação social e cidadãos em torno de objetivos partilhados.
Nesta arquitetura colaborativa, os meios de comunicação regional são peças estruturantes. Sem uma comunicação de proximidade, competente e credível, não conseguimos mobilizar empresas, envolver a sociedade civil nem criar o sentimento de pertença indispensável a qualquer estratégia de desenvolvimento integrada.
A comunicação regional é também um fator de competitividade. Ao dar visibilidade às empresas, aos empresários e ao talento jovem, ao divulgar casos de sucesso e boas práticas de inovação e sustentabilidade, os jornais regionais ajudam a projetar a imagem externa do Médio Tejo e do Ribatejo, reforçando a sua atratividade para investimento, turismo e fixação de pessoas qualificadas.
O desafio que hoje se coloca é alinhar essa capacidade de informar e mobilizar com as prioridades estratégicas da região. Se queremos uma Wise Region, temos de comunicar de forma clara os grandes projetos em curso, os instrumentos de apoio às PME, as oportunidades da transição digital e verde, a importância da cooperação entre empresas, autarquias, Institutos Politécnicos e comunicação social.
Ao celebrar 91 anos, o jornal renova um compromisso com Tomar e com a região: informar com rigor, questionar, estimular a participação e aproximar os agentes do território na construção de uma região mais sábia, mais justa e mais próspera.
Em nome da NERSANT, deixo uma palavra de reconhecimento a todos quantos, ao longo destas nove décadas, fizeram e fazem o “Cidade de Tomar”. A história da região não se escreve sem a vossa história.
Rui Serrano,
Presidente da Nersant
Associação Empresarial da Região do Ribatejo
Câmara do Comércio e Indústria
O Cidade de Tomar tem sido um parceiro de enorme valor
Parabéns ao Jornal Cidade de Tomar pelos seus 91 anos!
91 anos: a história de um jornal é feita pelas histórias de todos
Há histórias que começam sem ninguém perceber bem que estão a começar. A minha começou atrás do balcão de um pequeno café dos meus pais, entre chávenas, conversas de clientes e os livros da escola. Enquanto ajudava a servir mesas, fazia outra coisa sem saber: observava. Observava as pessoas, as suas histórias e as pequenas alegrias do dia-a-dia. Hoje percebo que foi ali que comecei a aprender uma das primeiras regras do jornalismo: olhar para o mundo com curiosidade.
Na escola primária houve um pequeno sinal que ficou comigo. A professora começou a elogiar as minhas redações e, por vezes, lia-as em voz alta para a turma. Ao mesmo tempo via reportagens na televisão e imaginava como seria estar nesses lugares, a contar histórias. Foi então que, ainda criança, decidi algo que parecia improvável para muitos: queria ser jornalista.
Criei até o meu primeiro jornal, feito para os clientes do café dos meus pais. Tirava fotografias, fazia perguntas e escrevia pequenas histórias. Era um jornal improvisado, mas para mim era muito sério. Anos mais tarde cheguei à universidade. Não foi um caminho fácil, mas os sonhos verdadeiros têm uma forma curiosa de nos chamar de volta.
Em 2005 comecei finalmente a trabalhar como jornalista, com carteira profissional. Desde então tenho assistido a uma grande transformação na profissão. Quando comecei, o papel dominava e as redes sociais praticamente não existiam. Hoje o mundo é digital, imediato e veloz, e os jornalistas tiveram de se reinventar muitas vezes. É neste contexto que o Cidade de Tomar celebra 91 anos de vida. Noventa e um anos a contar histórias da cidade e das suas gentes. Noventa e um anos a acompanhar mudanças, desafios e conquistas. Noventa e um anos de memória coletiva.
Num tempo dominado pelo digital, continuar a fazer um jornal local é também acreditar que as histórias das pessoas, das instituições, das associações e das empresas da nossa comunidade merecem ser contadas.
Porque um jornal local é mais do que um conjunto de páginas.
É um espelho da comunidade.
É um arquivo daquilo que somos.
Ao longo destas décadas, o Cidade de Tomar só foi possível graças à ligação com os seus leitores e com todos aqueles que fazem parte da vida desta cidade.
Por isso, nesta edição de aniversário, mais do que olhar apenas para o passado, o convite é simples: não desistir.
Não desistir de acreditar na importância da informação local.
Não desistir de valorizar aquilo que é nosso.
Não desistir de continuar a contar as histórias da nossa terra.
Porque os tempos mudam, os formatos mudam, mas há algo que permanece: a necessidade de contar histórias verdadeiras sobre o lugar onde vivemos.
E enquanto houver quem acredite nisso, haverá sempre razões para continuar.
Elsa Ribeiro Gonçalves
Chefe de Redação
91 anos ao serviço de Tomar
91 anos depois, o Jornal Cidade de Tomar ainda existe. Sem interrupções. Sem saltar uma edição. Chegou a este aniversário com presença no papel, no digital e nas redes sociais, lido em todo o mundo.
Seria fácil escrever apenas um texto de celebração. Mas, prefiro escrever um texto honesto. Porque o que está a acontecer à imprensa regional e local diz algo sobre democracia que não pode ficar por dizer.
Há mais de 80 concelhos portugueses sem qualquer publicação periódica registada. Um quarto dos concelhos já vive num “deserto de notícias”, outros 50% estão em risco. Em quinze anos, o número de títulos de imprensa em Portugal caiu 40%.
Estes não são apenas números apenas sobre um sector em dificuldades. São números sobre o que acontece quando uma comunidade deixa de ter jornalismo local, e o que acontece é simples: o poder é exercido com menos escrutínio.
O Facebook não vai à Assembleia Municipal. O Instagram não faz pedidos de acesso à informação. As redes sociais distribuem o que existe, mas não produzem. E quando não há jornalista para fazer as perguntas, as perguntas ficam por fazer.
A verdade, é que os municípios também têm responsabilidade nesta crise. Alguns usaram a publicidade institucional como instrumento de pressão editorial, nem sempre de forma explícita, mas de forma eficaz. Outros simplesmente migraram para as redes sociais, tornando-se emissores diretos sem ligar ao jornalismo que os devia escrutinar. Ambos os caminhos produzem o mesmo resultado: menos independência, menos escrutínio, democracia mais fraca.
91 anos é um número que impõe respeito. A história deste jornal é a história de Tomar narrada por quem cá viveu. Perder isso não é perder apenas um jornal. É perder a capacidade de uma comunidade se contar a si própria. E uma comunidade que não se consegue contar tem muito mais dificuldade em construir o seu futuro.
Parabéns ao Jornal Cidade de Tomar por estes 91 anos que merecem ser celebrados.
Tiago Carrão Presidente da Câmara Municipal de Tomar









