NOTA DO DIRECTOR
Não posso esconder que foi com um misto de emoção e de alegria que estive presente, no passado domingo, na cerimónia – colóquio – realizada no Biblioteca Municipal de comemoração dos 80 Anos do Agrupamento 44 do Corpo Nacional de Escutas.
De repente, como um relâmpago, vi-me, no ano de 1964, a participar no Teixoso – Covilhã – no acampamento nacional do CNE. Era, entre muitos outros, um escuteiro de Tomar, com o Armando Duarte, o Sidónio, o Víctor, os Murtas, os Chefes Carlos Silva e Boavida, etc, etc. como recordei os bivaques nos Pegões, no Pinhal de Santa Bárbara no Açude de Pedra. E a cerimónia de passagem de Lobito a Explorador.
Recordei os tempos da nossa sede na Rua Joaquim Jacinto, sede da qual saímos para a Rua dos Moinhos, ao tempo um prédio da Família Oliveira, por cima da oficina do Sr. Jerónimo, sendo que hoje, fruto de muitas campanhas de recolha de fundos e de papel, o Agrupamento 44 dispõe de uma sede própria. E, ainda bem.
E, não pude esquecer o Sr. Padre Ramos, tristemente falecido num desastre de motorizada. Foram, para o escutismo tomarense, tempos difíceis, como o eram para outras organizações da juventude. E, neste recordar, não pude deixar de pensar no Padre Manuel Ferreira da Silva, este que muito engradeceu com a sua presença o Congresso sobre o Espírito Santo, realizado por ocasião da Festa dos Tabuleiros de 2003, e o Padre João Ferreira, os primeiros impulsionadores e defensores do CNE, em Tomar.
Tempos difíceis em que o Pata Tenra – o Chefe Mário Andrade – nas páginas deste Jornal – o Cidade de Tomar – com as suas crónicas semanais, procurou e conseguiu, como os factos o comprovam, manter acesa a chama do escutismo tomarense.
Colóquio aquele, o do passado 29 de junho, cheio de emoção, em que os testemunhos do João Mendonça, do Pedro Moura, do Filipe Confraria e da Rita Perfeita, nos possibilitaram sentir o que, nas suas vivências pessoais e profissionais, o ser Escuteiro lhes proporcionou, motivou e orientou. Grande escola o CNE.
E, termino o agradecendo o convite que a Chefe Elizabete Gameiro, pelo Chefe João Ferreira, me endereçou para este colóquio e testemunhar o que senti em ser escuteiro, porque escuteiro um dia, escuteiro toda a vida, sendo certo que o nome dado de Carlos Silva ao Museu do CNE do Agrupamento 44, apenas reflecte que não devemos esquecer os que, pelo movimento escutista, muito de si deram, com sacrifícios pessoais, profissionais e monetários. Mas acredito que vale a pena. Daí uma apertada canhota de gratidão.
Mas, tal como o relâmpago de que acima escrevi, não quero deixar de referir nesta Nota a inauguração da Exposição Temporária de Longa duração A FESTA DOS TABULEIROS – um caminho de reconhecimento e preservação, evento a ter lugar num espaço renovado no Convento de S. Francisco.
Naturalmente, devo, tenho, de reconhecer o esforço levado a cabo, pela Autarquia, neste particular pela Sra. Vice-Presidente Filipa Fernandes, pela antiga Mordoma Maria João e pelos antigos Mordomos Tó Carvalho, João Victal e António Madureira, bem como pelo André Camponês, que, unidos num esforço singular, possibilitará o reconhecimento, tão ansiado, da FESTA DOS TABULEIROS, de classificação como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
E, neste particular, é bom lembrar todos aqueles que, desde 1999, muito deram de si por esta classificação como Luís Santos, Matilde Sousa Franco, António Lourenço dos Santos, Carlos Trincão. Tudo para que os vindouros tomem conhecimento e não haja esquecimento deste esforço. E, como já escrevi, relembro o desafio para que no dia do reconhecimento os sinos das Capelas e Igrejas do nosso Concelho repiquem em louvor de tal atribuição. Porque a Festa Maior do nosso Concelho tudo merece e o relâmpago do Espírito Santo seja louvado.
O Director,
António Cândido Lopes Madureira.