De 6 a 9 de agosto, Cem Soldos volta a transformar-se numa verdadeira aldeia-festival com a realização de mais uma edição do Bons Sons. Sob o mote da resistência, o evento apresenta uma programação que ultrapassa os concertos, cruzando música, património, natureza, criação artística e participação comunitária.
Ao longo dos quatro dias, a aldeia acolhe um vasto conjunto de iniciativas paralelas, entre cinema, conversas, percursos, oficinas, exposições e atividades para todas as idades.
Nas artes performativas, destaque para a parceria com a Materiais Diversos, que apresenta duas criações contemporâneas. Conto Preto, de Nala, cruza as espiritualidades do Candomblé com a cultura ballroom, abordando temas como a ancestralidade, a identidade e a resistência. Já Fazer Ideia, de João Grilo e Inês Campos, propõe uma performance que combina texto, música ao vivo, gestos coreografados e participação do público.
O espaço dedicado às conversas inclui um ciclo promovido pelo Gerador sobre o conceito de lugar, reunindo personalidades de diferentes áreas para refletirem sobre o futuro, a liberdade artística, a diversidade de vozes e o papel das comunidades. A Fundação José Saramago promove ainda a conversa Um País Morto Não Pode Fazer Uma Cultura Viva, enquanto o músico Luca Argel participa num encontro sobre masculinidade com a sexóloga Tânia Graça. Já o projeto Música Portuguesa A Gostar Dela Própria dinamiza uma sessão dedicada à criação de públicos e à preservação do património musical.
O cinema também regressa ao festival com o Curtas em Flagrante, mostra itinerante de curtas-metragens em língua portuguesa, incluindo uma sessão destinada ao público infantil. A programação integra ainda os documentários Paraíso, sobre o nascimento da cultura rave em Portugal, e Percursos Alternativos – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90.
Para quem pretende conhecer melhor a aldeia, o Bons Sons propõe o percurso sonoro Cem Soldos para além do Bons Sons, criado por Ana Bento e Bruno Pinto, que revela histórias e memórias da comunidade através de auscultadores. A associação 30POR1LINHA volta igualmente a promover percursos interpretativos da biodiversidade e a oficina Bandeiras da Diversidade.
As oficinas voltam a assumir um papel de destaque. A Oficina Fritta dinamiza duas propostas de criação coletiva, enquanto Liliana Abreu orienta uma oficina de canto e toque coletivo. Haverá ainda uma caça ao tesouro para famílias, promovida pela 30POR1LINHA, e um workshop sobre reutilização de óleo alimentar, integrado no plano de sustentabilidade do festival.
A celebrar os 20 anos do Bons Sons, a exposição 20 Anos, Aqui o Futuro Faz-se reúne vídeos, entrevistas e um manifesto coletivo produzido por crianças e jovens de Cem Soldos, refletindo sobre a ligação entre a comunidade e o festival.
A programação familiar inclui novamente a participação da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, com atividades em torno do Burro de Miranda, como caminhadas, jogos e experiências educativas. Os mais novos poderão ainda participar em sessões de música para bebés e crianças, oficinas de instrumentos e danças tradicionais, bem como assistir aos espetáculos Febre de Burro e A Quinta dos Animais.
Entre as iniciativas destaca-se ainda o jogo Cem Soldos, Cem Moedas, que desafia visitantes de todas as idades a descobrir cem moedas espalhadas pelas ruas da aldeia, inspiradas nos desenhos das crianças da freguesia.
Toda a programação paralela decorre entre 6 e 9 de agosto, em diferentes espaços de Cem Soldos, podendo o programa completo e os horários ser consultados, em breve, no site oficial do festival