No início de 2026
Não foi, para mim próprio e também, estou certo, para grande parte da comunidade tomarense, um início de ano feliz, quando tivemos conhecimento do falecimento de José Pereira, para muitos o Zeca Pereira.
De repente veio-me à memória o casual encontro que tivemos em 29 de Dezembro último, nas instalações do Banco Montepio, em Tomar. Falámos com a natural amizade que nos unia, sabendo, mutuamente, das Famílias, como tínhamos passado o Natal e a preparação para o Ano Novo que se avizinhava. Conversa espontânea entre velhos conhecidos, de muitas lutas políticas, sempre correctas, como era nosso timbre. E, também, da Festa dos Tabuleiros, a nossa menina dos olhos cuja decisão sobre a sua realização, ou não, se aproxima, e com ela, a decisão, a eleição, da ou do Mordomo. E despedimo-nos com um abraço fraterno naquela manhã de Dezembro.
A notícia causou-me sentida tristeza. Zeca Pereira encarnava aquele tomarense lutador, compreensivo, amigo do seu amigo. Empenhado, até mais não, em Tomar e no seu partido que, por vezes, o esquecia. Mesmo no seu labor de Provedor do Munícipe, cujo desempenho não pode, não deve deixar de ser reconhecido. Tomar perdeu um dos seus. E a Festa dos Tabuleiros um conhecedor nato dos seus meandros e a que se dedicava de alma e coração. Partiu, deixando saudades. Acredito que em PAZ.
Mas a tristeza de outra partida também me assaltou neste início de Janeiro. Neste particular refiro Manuel Cartaxo, meu companheiro de muitas idas e vindas na nossa juventude. O seu empenho na Piscina Municipal, coadjuvando o Sr. Trindade, sempre com o aturado cuidado do Sr. Jacob. Corria, então, a década de 60 do século passado. Quis, então, o destino que Manuel Cartaxo partisse para a Venezuela em busca de melhor vida. De tempos a tempos vinha a Tomar na busca de conforto da Família e dos Amigos. Mas a enfermidade de que padecia tornou difíceis as suas vindas a Tomar. Ia sabendo dele pelo irmão Albertino; como passava, se arranjava, ou não, a medicação de que precisava; o seu modo de viver nesta Venezuela hoje tão estranha e tão diferente daquela que o abraçou quando procurou e conseguiu desafogo numa vida de constante luta. Manuel Cartaxo partiu há algum tempo; esta minha nota está, incompreensivelmente, atrasada. Mas impõe-se-me recordar este Amigo.
Às Famílias de José Pereira e Manuel Cartaxo, o meu profundo sentimento de pêsames.
Todavia, não quero terminar esta minha Nota sem transmitir três preocupações que me assaltam, sempre em defesa de Tomar.
A primeira prende-se com a intervenção de José Delgado na sessão do Executivo Municipal, de 29 de Dezembro último, referindo-se ao preocupante estado de conservação do Aqueduto de Pegões, um dos ex-líbris da nossa terra. Cuido, nesta minha Nota, que José Delgado, hoje vereador eleito pelo Partido Socialista nas eleições de Outubro de 2025, manifestou o seu sabedor conhecimento sobre o Aqueduto dos Pegões e da necessidade de intervenção no monumento, intervenção sem a qual o colapso do mesmo poderá acontecer. Lembro que, não há muitos anos, houve intervenção nas sapatas dos pilares dos arcos que compõem o aqueduto, intervenção que procurou minimizar o que ora nos deve afligir. Recordo que há muitos anos a Casa de Água, junto ao largo de estacionamento para visita de quem vem de Tomar ou da Venda da Gaita, estava sempre fechada. Todavia, o desleixo de que somos hábeis vem provocando sérias mazelas no monumento, com os resultados que estão à vista. E a intervenção de José Delgado, que mereceu acolhimento do Executivo Municipal, nomeadamente do Sr. Presidente, é bom sinal de Governação Municipal quando estão em causa a defesa de interesses supra municipais que a todos devem unir e não servir de pedras de arremesso.
Só assim nos pudemos afirmar.
Ainda, e finalmente, duas últimas notas. Uma sobre a Governação Financeira Municipal: observar, neste início de ano de 2026, o regime de duodécimos por razões que respeito e decorrentes do recente acto eleitoral que provocou alternância de poder municipal. Para muitos, tal situação pouco importa desde que os serviços da Autarquia continuem a exercer a sua função. No entretanto, tal regime implicará diminuição, mesmo impossibilidade, de acesso a projectos de investimento até que o Plano de Actividades e o Orçamento para 2026 sejam aprovados pelo Executivo e pela Assembleia Municipal. Cabe andar rápido, para que promessas não sofram contratempo.
A segunda e última Nota prende-se com o acto eleitoral que vai decorrer na próxima sexta feira para o Direcção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. Acto eleitoral em que votarão os Srs. Presidentes das Câmaras da área do Ribatejo e Oeste; os Srs. Presidentes das Assembleias Municipais e os vogais que compõem as mesmas assembleias incluindo os Srs. Presidentes de Junta que integram este órgão. Fruto de entendimentos entre o PSD e o PS, será eleita Presidente Teresa Almeida, actual Presidente da mesma CCDR. Igualmente, serão eleitos dois vice-presidentes da mesma entidade. Entidade esta que no seu total terá sete Vice-presidentes, dado cinco serão nomeados pelo Governo para as áreas da Educação, Cultura, Agricultura, Ambiente e Saúde. A minha pergunta é muito simples: quem conhece Teresa Almeida? Para muito poucos, recordo que foi Presidente da Sociedade TomarPolis e contribuiu para que algumas intervenções se realizassem. Só espero que, na nova configuração da CCDR, com sete vice-presidentes, consiga um efectivo desenvolvimento da nossa região, com espírito de agilizar procedimentos, sem que obstáculos lhe sejam plantados.
Importa, por isso, ter confiança, neste particular, daqueles que hoje nos governam municipalmente ao conseguirem que os obstáculos levantados pela CCDR se ultrapassem, contribuindo para um Tomar em que valha a pena viver, trabalhar e desfrutar.
O diretor,
António Cândido Lopes Madureira.