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Carta a Zeca Pereira (1948–2026): o Professor que nunca deixou de ensinar

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2026 começou com uma notícia amarga. Tomar despediu-se de uma figura que marcou a vida cívica e institucional do nosso concelho. José Manuel Fortunato Pereira, conhecido por muitos simplesmente como “Zeca Pereira”, partiu aos 77 anos, numa despedida inesperada que abalou a comunidade tomarense.

 

Muitos chamaram-lhe “Professor” toda a vida, mesmo depois de já o não ser. E isso diz tudo: Zeca Pereira nunca deixou de ensinar. Ensinou na sala de aula, ensinou na vida pública e ensinou, sobretudo, pelo exemplo: pela forma como escutava, ponderava e escolhia o respeito quando o caminho mais fácil seria o confronto.

 

Num tempo em que a política tantas vezes se confunde com ruído e crispação, o seu percurso ficou associado a uma ideia diferente: a de que a democracia se constrói com firmeza, mas também com serenidade, civismo e sentido de serviço. Essa foi uma das suas lições mais duradouras: a de que o respeito se conquista melhor quando se pratica com equilíbrio. Foi também um exemplo de cidadania ativa, de defesa da democracia e dos valores da justiça social, num compromisso constante com o bem comum.

 

Professor aposentado e formador, com ligação ao IEFP, manteve sempre uma relação natural com a transmissão de conhecimento e com o desenvolvimento dos outros. E essa vocação viu-se também no serviço público: a proximidade às pessoas levou-o a assumir a função de Provedor do Munícipe, exigindo escuta, justiça e humanidade.

 

Entre 2013 e 2021, foi Presidente da Assembleia Municipal de Tomar, durante dois mandatos. Quem o acompanhou recorda um responsável institucional que valorizou o debate, garantiu a pluralidade e preservou o civismo – mesmo na discordância. Também aí se via o professor que nunca deixou de ensinar: na forma como conduzia, esclarecia e organizava.

 

O seu contributo ultrapassou gerações — e isso toca-nos de forma muito direta. Um de nós (Hugo Costa) teve a honra de lhe suceder na presidência da Assembleia Municipal e conhece, por dentro, o privilégio e a responsabilidade de dar continuidade a um modo de estar feito de rigor, elevação e respeito institucional. O outro (Diogo Sereno), de uma geração muito mais nova, cresceu politicamente a vê-lo como referência: alguém que provava, com consistência, que a política pode e deve ser um espaço de serviço, de valores e de decência democrática.

E, apesar da diferença de idades, o Zeca tratou-nos sempre por igual: com a mesma atenção, a mesma exigência e o mesmo respeito.

 

Zeca Pereira foi, em muitos sentidos, um senador de Tomar: da Festa dos Tabuleiros, do Canto Firme, da Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar, do Grupo de Forcados Amadores de Tomar, do CIRE, do Partido Socialista, entre tantos outros espaços onde se faz comunidade.

 

Em todos eles, manteve a mesma marca: o professor que nunca deixou de ensinar, mesmo quando não estava a dar aulas – ensinando pertença, compromisso e responsabilidade.

 

À sua família e aos amigos, deixamos um abraço solidário, em nome de todos os que reconhecem a sua importância. A Tomar, fica uma responsabilidade: honrar a memória de quem contribuiu para a comunidade, mantendo viva a exigência de uma vida pública mais respeitadora, mais participada e mais próxima das pessoas.

 

Descansa em paz, Zeca Pereira. Tomar não te esquece. Nem esquecerá.

 

Hugo Costa e Diogo Sereno

Deputados Municipais do PS Tomar

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