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Inês Machado: “O afastamento dos contactos sociais e das brincadeiras pode dar origem a alguns problemas comportamentais”

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Ana Isabel Felício
Ana Isabel Felício
Comecei a trabalhar no Jornal Cidade de Tomar em 1999. Já lá vão uns anitos. Depois de sair da Universidade e de todas as dúvidas e dificuldades que surgem, foi-se construindo um caminho de experiência, com muitas situações, muitas pessoas, muitas aventuras e, claro, muito trabalho. Ao fim de todos estes anos, apesar de todos os percalços que a vida nos vai dando, cá estou, todos os dias a fazer o meu trabalho o melhor que sei, aprendendo com os que me rodeiam e também ensinando alguma coisa.

O “Cidade de Tomar” falou com a psicóloga Inês Machado sobre os efeitos deste segundo confinamento na saúde mental e física das crianças, opinião que a mesma prestou enquanto enquanto psicóloga em Clínica Privada, no Centro de Reabilitação do Nabão.

Cidade Tomar – Pode-nos falar um pouco sobre a sua formação e a sua atividade profissional

– Sou Psicóloga Clínica e da Saúde, formada em 2007 pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Detenho uma Pós-Graduação em Psicopatologia da Criança e do Adolescente e as minhas atividades profissionais têm sido maioritariamente na área da psicologia comunitária e na área de intervenção psicológica com famílias, crianças e jovens. Tenho acompanhado, também maioritariamente, crianças e adolescentes, em clínica privada, desde 2008.

– Trabalha com crianças de que idades? E quais são os principais problemas e/ou doenças com que lida?

– Em clínica privada, efetuo acompanhamento psicológico a crianças desde os 6 anos de idade e com adolescentes e jovens adultos até aos 20 anos de idade. Com crianças, na sua grande maioria, as queixam-se centram-se em sintomatologia ansiosa, com destaque para perturbações da ansiedade social, e também em sintomatologia de foro depressivo, resultante de condições que acabam por ser foco de atenção clínica, designadamente problemas relacionais entre pais e crianças e disrupção familiar por separação ou divórcio. Não raramente, estes quadros ansiosos e de sintomatologia depressiva têm repercussões a nível comportamental, designadamente em contexto escolar, implicando uma intervenção mais alargada, focada também em questões neurodesenvolvimentais (aprendizagem, linguagem, atenção, concentração, entre outras áreas). Com adolescentes e jovens adultos, as problemáticas vão também ao encontro de Perturbações de Ansiedade, desde Perturbações de Ansiedade Generalizada e de Ansiedade Social a Perturbação Obsessiva-Compulsiva. Os quadros em adolescentes apresentam contornos específicos, na medida em que, quando não tratados precocemente, persistem até à idade adulta, verificando-se um aumento da severidade da sintomatologia e, em alguns casos, a evolução para outros problemas como a depressão, com agravamento ao nível da funcionalidade e da qualidade de vida.

Uma entrevista para ler na íntegra na edição impressa de 5 de março, amanhã nas bancas!

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