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Entre tesouras, uvas e histórias, a tradição da vindima voltou a cumprir-se na Quinta do senhor Souto

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Com a terra nos sapatos, o sumo de uva a escorrer pelos dedos e o som das tesouras a cortar os cachos a quebrar o silêncio da manhã, a tradição voltou a cumprir-se no sábado, 5 de setembro, na Quinta de Souto, na Barroca Salgada. Depois de um ano de trabalho e dedicação às vinhas, chegou o momento de colher as uvas que darão início a mais uma produção de vinho, num dia marcado pelo trabalho, pela partilha e pelas memórias de quem, ano após ano, mantém viva a tradição da vindima.
Pouco passava das 7h30 quando o grupo se reuniu no local combinado. Dali, partiram juntos para a Quinta de Souto, onde as primeiras tarefas aguardavam. Ainda com a manhã fresca, cada participante pegou numa tesoura e num balde e começou a percorrer as fileiras de vinha.
A tradição da vindima na família Souto vem de trás, segundo Souto Jorge, o proprietário da quinta, vindimar “vem dos antigos, surgiu para dar uso a uma terra de família”.
A vinha que hoje reúne família, amigos e vizinhos tem cerca de 20 anos. O terreno foi anteriormente utilizado pelos avós da família para a horta e acabou por ser aproveitado para a plantação das videiras. Para a família, manter este espaço produtivo acaba também por representar uma forma de respeitar aquilo que foi deixado pelas gerações anteriores.
O trabalho tem o seu método. O cacho é cortado pela rama e, antes de seguir para o balde, é feita uma primeira seleção. As uvas secas ou já transformadas em passa são retiradas, ficando apenas os bagos considerados adequados. Depois, o processo repete-se cacho após cacho, fileira após fileira.
Este ano, apesar de a qualidade das uvas ser considerada boa, as condições meteorológicas deixaram algumas marcas na produção. O calor intenso fez com que algumas vinhas chegassem a queimar e contribuiu para que alguns cachos apresentassem maior quantidade de uvas secas. Também os pássaros e os javalis causaram prejuízos, com os animais a destruírem parte das vinhas e das uvas.
Ainda assim, a avaliação geral da colheita é positiva. As uvas chegaram à vindima maduras e doces, embora só o decorrer do processo permita perceber o resultado final no vinho.
Entre um corte e outro, há tempo para conversar. A vindima acaba por ser também um momento de reencontro, em que se põe a conversa em dia e se recordam aqueles que estiveram presentes em anos anteriores, mas que, entretanto, não podem participar. Falam-se das vindimas passadas, das uvas e das histórias que ficaram associadas a cada ano.
– Reportagem de Jéssica de Almeida na edição desta semana

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