Quem cresceu no abraço geográfico entre a história de Tomar e a envolvência de Cem Soldos, desenvolve um olhar atento à metamorfose do território.
No pico do verão, assistimos a um fenómeno que desafia a escala do interior do país: uma aldeia inteira que se transmuta em palco e que, há vinte anos, dá exemplo de organização, civismo e cultura ao país através do Festival Bons Sons.
O coração do festival bate no associativismo. Liderado pela juventude do Sport Clube Operário de Cem Soldos (SCOCS), o evento provou ser uma máquina perfeitamente oleada. Entre o voluntariado abnegado e o profissionalismo rigoroso, o que se viveu foi um exemplo de boas práticas: horários cumpridos ao minuto, trânsito gerido com eficácia, campismo estruturado e uma oferta gastronómica diversa, de qualidade adequada a preços justos.
Sob um sol intenso, a música portuguesa ecoou pelas ruas cuidadas e decoradas com orgulho pelo povo que acolhe os visitantes. Mais do que um alinhamento de ótimas bandas e com potencial, o Bons Sons é um manifesto sobre a portugalidade, que nas próximas edições poderá incluir mais artistas locais e fado.
Ao dinamizar a economia e o tecido social da região, o festival demonstra que a cultura descentralizada não é apenas viável, mas essencial. Com o silenciar dos palcos, fica a certeza de uma missão cumprida e a enorme expectativa de ver o interior continuar a ditar algumas regras do futuro cultural do país.
Foram quatro dias geradores de felicidade, que se podia ver nos olhos dos festivaleiros, crianças, jovens e adultos jovem e séniores, toda a família social participou. Bem hajam.
Carlos Gonçalves
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