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Comemoração do 10 de Junho… e Tomar – que futuro?

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Com o correr do calendário, de novo estamos em tempo de comemoração do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses.

Celebrações que se devem revestir de importância, nestes temos de guerras e de incertezas em que valores de humanidade são ou querem ser esquecidos.

Fazendo apelo às Comunidades Portugueses espalhadas pelo Mundo, e pelo Mundo enaltecidas, facto de que nos devemos orgulhar, não deveremos, igualmente, reflectir sobre as comunidades que se instalaram entre nós e que muito contribuem para o nosso sucesso económico? Era bom, tendo presente o que em tempos idos as Comunidades Portugueses sofreram – quando muitos de nós tiveram de procurar melhor vida fora de Portugal -, o modo de tratamento de que padeceram, o da sua elevação em termos sociais, como é o caso de muitos. Daí o orgulho de ser português.

No entretanto, na edição de 29 de Maio de 2026, Luís Francisco e José Rogério, a quem agradeço a sua colaboração para com o Cidade de Tomar, em textos de opinião, expressaram a sua posição sobre Tomar e o seu futuro… com particular acuidade no que importa ao desenvolvimento de Tomar.

Neste sentido, muito particularmente no texto de Luís Francisco, entre outros aspectos, o desenvolvimento com incidência no Rio Nabão trouxe-me à memória o projecto de instalação no Complexo da Levada – pelas então Fábricas de Mendes Godinho – de um Museu de Ciência Viva. Corriam, então, os anos de 1991/1992 e o projecto integrava uma apresentação pelo Arquitecto José Lebre intitulada, salvo erro, A riqueza de uma Cidade atravessada por um Rio.

Eis, agora, entre outros aspectos do texto de Luís Francisco, a pergunta: E, desde então, o que fizemos? Sim, o que fez Comunidade em defesa, activa, com acuidade, do seu rio, reconhecendo que muitos textos de indignação foram publicados, dado que os Poderes Municipais, pouco ou nada conseguiram?
José Rogério, entre outros aspectos, após se debruçar sobre a Governação Municipal nos seus seis primeiros meses, questiona que medidas de desenvolvimento vai o executivo municipal, com a sua configuração, assumir em sede de desenvolvimento da nossa Terra.

Ou seja, em minha opinião, o que importa, em defesa de Tomar, do aproveitamento do edificado – algum em ruínas, como é o caso da Fábrica de Fiação e do espaço junto ao Antigo Quartel General -, é saber que perspectivas vão assumir as Sras. Câmara e Assembleia Municipal, que, em si, congregam a responsabilidade de Governar em nosso nome, para o nosso desenvolvimento com fixação de munícipes, empresas, trabalho local.

Reconheço que estes primeiros meses de Governação, com alteração de procedimentos e de estruturas municipais, mudanças de intervenientes, não desprezando a tempestade Kristin, foram, naturalmente, esforçados. Medidas houve que mereceram contestação, e que o decidido talvez mereça reflexão.

Outras demonstram mudança, como o são a implementação de uma taxa turística; o pagamento para acesso a eventos; o regulamento de recolha de resíduos e lixos domésticos com efectiva aplicação; o destino de alteração de utilização do antigo Colégio Nun’Álvares. Mas tal contribuirá para o desenvolvimento efectivo de Tomar?

E deixo mais perguntas. O chamado Parque Empresarial de Tomar – que futuro? Revisão do Plano Director Municipal – que novas perspectivas estão ponderadas, que, a meu ver, devem reflectir um todo, ao invés de intervenção isolada e muito dirigida? Albufeira de Castelo do Bode – que nos espera de um plano de que pouco de conhece com intervenção de duas Comissões de Coordenação – Centro e Lisboa e Vale do Tejo – por vezes não coincidente?
São estas algumas reflexões que os artigos de Luís Francisco e de José Rogério me levam a apresentar. Outras haverá que merecem, igualmente, reflexão. Mesmo dos Poderes Locais, porque só assim contribuiremos para o futuro de Tomar. Como escreve Luís Francisco: Tomar precisa de ousar.

Finalmente, não posso terminar esta minha Nota sem uma palavra de saudade para com o José Cipriano. Figura de muitos conhecida, particularmente daqueles que frequentavam a Casa do Concelho de Tomar e que orientava o bar da nossa casa. Deixou-nos no passado dia 5 de Junho. Fica, desde já, a saudade.
À Família enlutada, os nossos sentimentos.

O diretor,
António Cândido Lopes Madureira

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