Nota do diretor
Eis nos chegados à última edição do Cidade de Tomar de 2025.
Para nós, Empresa Editora Cidade de Tomar, Lda., foram mais 52 edições, num esforço colectivo que me apraz realçar, fruto do profissionalismo, competência e sentido do dever de todos os que fazem este jornal que procura dar aos nossos leitores o que é Tomar e o que pretende ser, face aos artigos de opinião de muitas e muitos. Em suma, todas e todos os que sentem Tomar, num salutar confronto de ideias e de críticas.
Ainda em 2025, aconteceu o que foi para nós um marco deveras importante. Finalmente, num encontro de ideias e de dar a conhecer o que foi Tomar, a assinatura do Protocolo de Digitalização, com intervenção da Câmara Municipal de Tomar, o Instituo Politécnico de Tomar, a Associação Portuguesa de Imprensa, em conjunto com a Empresa Editora Cidade de Tomar, Lda.; foi um marco que tenho de registar, fruto de ânimo e de interesse, em colocar à disposição de muitos, 90 anos de um jornal com edições semanais ininterruptas, possibilitando o conhecer a nossa terra, este concelho que prezamos. Razão pela qual o agradecimento que ofereço me é muito caro. Bem-haja por se acreditar num projecto que muito engrandece a cidade de Tomar.
Todavia, não posso deixar terminar o ano de 2025 sem reflectir sobre alguns aspectos da nossa vida em comunidade.
O primeiro prende-se, não obstante tudo o que já escrevi, sobre os atentados que se cometem contra o NABÃO. O curso de água que dá vida e muito possibilitou o desenvolvimento industrial de Tomar. Basta lembrar as indústrias que se estabeleceram ao longo do seu curso, utilizando a força do seu caudal. Indústrias, hoje, infelizmente desaparecidas.
Realço, nesta primeira reflexão, o interesse que os atentados ambientais praticados estão a merecer de forças partidárias representadas na Assembleia da República. E pergunto: onde se andou ao longo de vários anos, sempre com promessas de que não faltavam fundos comunitários, e outros, para a tão prometida luta contra a poluição do NABÃO?
Será que a mudança de governação do nosso Concelho, alertou consciências quando é do conhecimento comum que uma das fontes de poluição do nosso rio reside na Estação de Tratamento de Águas Residuais – a ETAR – do vizinho concelho de Ourém, em Seiça? Realço a intervenção do actual executivo, com apresentação de queixa à Agência Portuguesa do Ambiente e ao Serviço Ambiental da Guarda Nacional Republicana. E tenho presente que a mudança de Direcção da empresa intermunicipal TEJO AMBIENTE, da qual Tomar assumiu a presidência, possa provocar um novo olhar sobre esta triste, para nós Tomarenses, realidade.
A segunda reflexão prende-se com o tão ansiado reconhecimento da FESTA DOS TABULEIROS pela UNESCO. Assisto, com assiduidade, ao reconhecimento de inúmeras atribuições de tal reconhecimento a actividades e manifestações culturais que, felizmente, Portugal é rico. E, nós, pergunto: o que atrasa tal reconhecimento?
Será que o esforço de André Camponês, e muitos outros, desde a Autarquia, a antigos Mordomos e população em geral, foi todo em vão? Espero, com fervor de tomarense, que em 2026, ano em que, face ao calendário festivo, iremos, num todo de comunidade, decidir sobre a realização, ou não, da Festa dos Tabuleiros em 2027 e a escolha da/do MORDOMO, tal atribuição seja uma realidade. Mas a ver vamos.
Terceira reflexão prende-se com o apelar à consciência de muitos sobre a triste realidade de abandono de idosos que, tendo alta hospitalar, mas não tendo apoio, pelas mais variadas razões, se mantêm hospitalizados, ocupando camas tão necessárias a outros, que, doentes, das mesmas necessitam. Neste particular, os números são avassaladores, sendo já em cerca de 2.800. Será que os competentes serviços públicos, particularmente da Segurança Social, conhecem esta realidade e as frustrações que as Instituições de Solidariedade Social, como é o caso da nossa Santa Casa da Misericórdia, sofrem quando os seus projectos de alargamento, com criação de camas de apoio, sofrem com as exigências que são apresentadas?
Será que os mais velhos não merecem respeito e consideração? Será que o diabolizar dos imigrantes, nesta área tão sensível, contribui para a harmonia de uma comunidade? Imigrantes de que tanto necessitamos?
Deixo estes alertas e acredito, embora com pouca convicção, que a transferência de competências para as Comissões de Coordenação, nesta área tão sensível, dê frutos. Frutos, designadamente no conhecimento da realidade existente, possibilitando celeridade na resposta, desencalhando o que está encalhado. Evitando que a macrocefalia de Lisboa, de uma vez por todas desapareça. O futuro julgará esta transferência de competências.
Finalmente, mas não menos importante, realço a entrevista do Sr. Presidente da Câmara que publicámos na última edição de Cidade de Tomar.
Outros, com maior ou menor sabedoria, a analisarão. De minha parte, decorridos cerca de 60 dias da sua eleição e menos dias de tomada de posse, permite um novo olhar sobre Tomar, o desenvolvimento que importa assumir e que a concretização do mesmo desenvolvimento seja possível. Importa, a meu ver, que se assista a novo enquadramento do que queremos; os obstáculos que existem e vão aparecer; as intervenções de Autoridades Nacionais que, muitas vezes, penalizam o nosso concelho sem que na tomada de decisão haja a nossa participação. Refiro, com acuidade, o que está pensado para a Albufeira de Castelo do Bode. E pergunto: que intervenção houve ou está a haver por parte da Autarquia? Se houve intervenção, era bom que a conhecêssemos. Se não, estaremos a tempo de intervir?
Mais: a tão falada instalação de uma Loja do Cidadão não será, como se desejava, concretizada. Mas ainda vamos a tempo de alterar a decisão de não-instalação? O que faltou? Qual a razão do insucesso? Teremos chegado atrasados? Ainda, e finalmente, em termos de saúde, que intervenção poderá haver na prestação de cuidados no nosso hospital?
Sei, tenho noção, que não é fácil alterar procedimentos face aos Hospitais de Abrantes e Torres Novas, no seu todo do Médio Tejo. Mas pensemos que hoje, quem procura instalar-se no interior, tem preocupações acentuadas em termos de cuidados de saúde. O que é, como se entende, natural. Será que a resposta de Tomar é consistente? São estas reflexões que, numa primeira abordagem, apresento neste final de 2025.
A entrevista de Tiago Carrão permite-nos, atenta a sobriedade da mesma, e o assumir de decisão em sede de governação do concelho com o chamamento do Partido Chega, com o convite a Samuel Fontes, à mesma governação, podendo afectar consciências, mostrou um elevado interesse na defesa de Tomar. Ponderemos, com frieza, o que se quer para Tomar, acreditando que a alteração de governação, muitas vezes, é útil. Vamos aguardar que, assim, sucederá.
Com os meus votos, especialmente com saúde, desejo um Bom Ano de 2026.
O diretor,
António Cândido Lopes Madureira.