A FESTA MERECE RESPEITO – 2
Retenho e recupero o que escrevi na passada semana sobre o respeito que a Festa Maior do nosso concelho nos deve merecer.
Naturalmente que esperava reações, favoráveis ou não, sobre o meu profundo sentimento do que entendo ser a Festa dos Tabuleiros. É, como bem se entende, a minha opinião pessoal sujeita a contradita, que respeito.
Todavia, este mesmo respeito para com a opinião de terceiros em minha opinião não deve ser exercida senão em termos de urbanidade, o que não sucedeu com a opinião de Luís Ferreira. Ou seja, em nenhuma parte a minha nota se dirigiu a terceiros. Foi uma manifestação sobre a não utilização da Festa em termos comerciais e políticos de que a Festa se deve afastar. Esta era, fundamentalmente, a razão da nota.
Ainda, a preocupação que sinto de tal ou tais utilizações poder fazer perigar um processo de candidatura que nos devia unir. Razão pela qual gostava, mesmo particularmente, que a equipa que preparou e apresentou a candidatura à UNESCO se tivesse manifestado. O que, infelizmente, não aconteceu por razões que desconheço, mas respeito. Talvez, tenham entendido que o silêncio, neste particular, é de oiro.
Ainda, não comungo com Luís Ferreira o que escreveu sobre o que expressei e sobre só os naturais de Tomar puderem opinar sobre, em geral, Tomar. Triste entendimento sobre o sentido de comunidade. E, lembro, que muitos dos que estabeleceram entre nós dedicaram a Tomar o seu saber, labor, sentido de cidadania. Mesmo ultrapassando os que naturais de Tomar nunca fizeram.
Finalmente, neste particular e muito pessoalmente, dou nota que exerci durante cerca de 12 anos mandato de membro da nossa Assembleia Municipal e durante 8 anos de Presidente da Assembleia de Freguesia de S. João Baptista e de vogal da mesma assembleia. Acho que, como exercício cívico, estamos falados.
Por último, quanto ao carácter profano ou religioso da Festa dou nota de, durante muitos anos, anos de realização da Festa antes do 25 de Abril o Vigário de Tomar, de que recordo o Sr. Padre David Lopes Paixão, na 1.ª saída de coroas, em Domingo de Páscoa, este APENAS E SÓ levava a Coroa do Espírito Santo desde a saída da Igreja de São João à Travessa da Rua Serpa Pinto. Apenas, e só, um percurso de 100 metros. E, foi com João Borga e Mário Duarte que a intervenção da Igreja se tornou visível e atuante. Talvez fruto de uma aproximação do religioso ou profano. Não ficou mal quando enchemos a Festa como um agradecimento, na modernidade, ao Espírito Santo.
É esta a minha maneira de ver a Festa. Outras ou outros terão outra opinião. É salutar que, assim, seja finalizando, com esta nota, o meu entendimento sobre merecimento que a Festa deve merecer e, igualmente, com ânsia de ouvir repicar os sinos das nossas Igrejas e Capelas quando o tão ansiado reconhecimento da FESTA DOS TABULEIROS DE TOMAR for uma realidade. A Festa merece tratamento digno e condigno e o respeito daqueles que sobre ela se pronunciam.
Todavia, não quero terminar esta minha nota sem trazer ao conhecimento dos nossos leitores o respeito de quem nos vista deve merecer. Assim, é uma constante o estacionamento de autocarros de turismo no largo do Pelourinho. Já não falo da ideia da construção, no local, de uma rotunda, melhor de uma rotundazinha, que muito dificulta a manobra dos mesmos autocarros. Mas, ainda na passada 3.ª feira, assisti a este espectáculo – pára o autocarro, saem os visitantes e, de imediato, antes da visita aos monumentos localizados no centro histórico, procuram instalações sanitárias, se o autocarro não dispuser de tal equipamento. E, dirigem-se aos cafés, pastelarias, etc, existentes junto ao Largo do Pelourinho. Será razoável viver-se esta situação quando amiúde apresentamos Tomar como um destino turístico de eleição? Não será razoável, face à não actual utilização da conhecida Casa dos Pobres, de a Autarquia protocolar, com a Direcção daquela instituição, a possibilidade de haver instalações sanitárias de apoio ao turista naquele imóvel?
Fica a sugestão, naturalmente aberta à contradita.
O Director,
António Cândido Lopes Madureira