20.3 C
Tomar

NOTA DO DIRECTOR

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A FESTA MERECE RESPEITO

 Desde sempre, pelo menos desde os anos 50 do século passado, que com a Distribuição do Bodo e a apresentação de contas cessava o mandato do Mordomo da Festa dos Tabuleiros e um importante silêncio se iniciava, tudo na expectativa e entusiasmo da realização de uma nova Festa.

Foi, assim, com João Simões, José Júlio Bento, João Pedro Mota Lima, Manuel Bento Baptista, António Carvalho, Raúl do Coito, Fernando Araújo Ferreira, Manuel Bonet, Luís Carlos Santos, António Madureira, João Victal, Maria João Morais e Mário Formiga.

Esta era a normalidade que envolve a Festa dos Tabuleiros. E, para, tal, basta ter presente a edição de 2003 do Boletim Cultural da nossa Câmara onde se encerra todo um manual de procedimentos sobre tão importante realização, que a todos une num magnífico espírito de união do nosso concelho.

Ainda, foi neste espírito de união e de defesa de um Património que importa defender e preservar que, com muito gosto e espírito de defesa de Tomar e das suas tradições, participei com a Mordoma Maria João Morais e os Mordomos António Carvalho e João Victal em diversas reuniões que tiveram lugar no Gabinete da Sra. Vice-Presidente da nossa Câmara, Filipa Fernandes, onde foi avançado e defendido o princípio de se dotar a Festa de um manual de procedimentos, englobando, assim, todos os actos que regem e orientam a FESTA – desde o anúncio do convite à população do concelho por parte do Sr. ou Sra. Presidente da Câmara  tendo vista recolher a decisão de fazer ou não fazer a Festa até à apresentação das contas, acto que determina o terminus do mandato do ou da Mordomo. Direi, nesta minha nota, que estranhei a ausência do Mordomo Mário Formiga, ausência que respeito e que se poderá dever a razões pessoais ou profissionais porque, estou certo, o seu testemunho seria importante em termos de defesa da Festa nesta recta final de classificação da Festa como património da humanidade pela UNESCO.

Todavia, factos muito recentes levam-me a concluir que o espírito de dotar a Festa de um manual de procedimentos, manual naturalmente sujeito a actualizações face aos tempos em que vivemos, a alguns – talvez muitos – não interessa quando fatores políticos, económicos ou de parcerias económicas parecem encaminhar a Festa para um desvirtuamento da sua génese.

O que, até então, se entendeu e defendeu ser a Festa dos Tabuleiros a representação da união do todo um concelho, na minha opinião, em concílio com as Festas do Espírito Santo ter-se-á perdido ou poderá vir a sê-lo. Refiro expressamente um desfile de Tabuleiros, poucos, muito poucos, no passado fim-de semana, em terrenos da Várzea Grande e em algumas ruas da nossa cidade.

E, pergunto – estando em causa a classificação da Festa – tal iniciativa não porá em causa tal classificação, lembrando que a candidatura obrigou a um aturado trabalho de investigação de todo em todo exemplar por parte da autarquia? Será que a Comissão Central da Festa não tem uma palavra sobre iniciativas como a que teve lugar? Será que tal iniciativa não poderá enquadrar-se numa nefasta politização da Festa, como está ou estará a acontecer, num período em que eleições autárquicas estão à porta?

Trago, assim, este assunto à discussão porque, do conhecimento que tenho, com a atribuição do reconhecimento da Festa como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO todo um procedimento de realização fica assumido. E, lembro que, com tal classificação, a UNESCO exercerá procedimentos severos se os princípios orientadores não forem seguidos.

Neste particular lembro o sucedido com obras de vulto no Douro que, sem definição correcta e concreta, levariam à suspensão, mesmo retirada, da Classificação como Património do Alto Douro Vinhateiro. É, pois esta minha preocupação que vos transmito nesta minha nota que está, naturalmente, sujeita a críticas ou apoios. Mas, não posso deixar de transmitir o que me vai na alma e o respeito que me foi ensinado e que defendo em sede da Festa dos Tabuleiros.

Louvo a consumada iniciativa inauguração da exposição temporária de longa duração
A FESTA DOS TABULEIROS – um caminho de reconhecimento e preservação. E, de
novo, pergunto, a quem de direito, com participação activa no processo de
candidatura, se estes procedimentos não poderão por em causa a classificação em
apreciação. Bem como pergunto, numa união de falecidos Mordomos se os mesmos
fossem vivos estas iniciativas aconteceriam? E, por fim, questiono-me sobre a
genuinidade da FESTA.

O Director,
António Cândido Lopes Madureira

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