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Shilá Fernandes: uma vida ligada à produção da arte

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Ana Isabel Felício
Ana Isabel Felício
Comecei a trabalhar no Jornal Cidade de Tomar em 1999. Já lá vão uns anitos. Depois de sair da Universidade e de todas as dúvidas e dificuldades que surgem, foi-se construindo um caminho de experiência, com muitas situações, muitas pessoas, muitas aventuras e, claro, muito trabalho. Ao fim de todos estes anos, apesar de todos os percalços que a vida nos vai dando, cá estou, todos os dias a fazer o meu trabalho o melhor que sei, aprendendo com os que me rodeiam e também ensinando alguma coisa.

Shilá Fernandes foi a convidada do programa Tomarlugar, da RCT, no passado dia de 20 julho, numa conversa com a cidadã, a professora, a coordenadora do Projeto Cultural de Escola do Plano Nacional das Artes do Agrupamento de Escolas Templários e a produtora de muitos outros projetos, a nível regional, nacional e internacional, além de ser uma apaixonada pela dança.

Carlos Gonçalves – Como surgiu a dança na sua vida? Foi uma influência de família?

Shilá Fernandes – Eu ouvi dizer que a minha irmã precisou de ir fazer dança e eu fui porque ela foi e eu fiquei e foi algo que foi determinante para tudo o resto que fiz, pois sempre pensei em termos de espaço e de movimento.

– Depois de Angola, veio para Portugal e para Tomar, tinha família cá?

A minha família não tinha origens em Tomar, mas estava cá o meu padrinho que dava aulas de Filosofia na Escola Jácome Ratton e como vim com a minha mãe e as minhas duas irmãs, sem o meu pai, que ainda ficou em Luanda, precisávamos de apoio.

– Guarda recordações de Angola?

Recordo os cheiros, na data, Luanda era uma cidade muito mais evoluída e quando chegámos a Portugal, que estava em vias de se desenvolver, foi um choque. Lembro-me do cheiro das coisas que podíamos fazer lá e cá não, e a dança era uma delas.

– E voltou a visitar Angola?

Não e tenho um problema com isso. O que se passou foi importante, Angola agora é dos angolanos e isso deixa-me feliz, mas continua com problemas por resolver, é um caminho grande a fazer e ninguém gosta de ver a sua terra maltratada.

– Quando chegou a Tomar, o que é que fazia?

Na altura as atividades em Tomar era a escola, havia um dia por semana que podíamos sair mais cedo se nos fossemos confessar e, claro todos se queriam ir confessar, íamos brincar para a Pedreira, para onde fomos morar, pois a minha mãe dava aulas lá, o que foi muito bom porque brincávamos muito na rua, o que também acontecia em Luanda. (…)

Carlos Gonçalves

Edição impressa: Ana Isabel Felício

Uma entrevista para ler na íntegra na edição impressa de 29 de julho.

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