Quarta-feira, dia 5, a primeira do mês de agosto. O centro histórico de Tomar desperta ao ritmo próprio do verão. Pelas ruas mais movimentadas, o som de fundo é marcado pela viatura publicitária que circula a anunciar a Corrida do Emigrante para o dia 8 de agosto, enquanto o sol da manhã começa a aquecer. À primeira vista, o cenário é de movimento, mas quem vive do comércio e dos serviços locais percebe rapidamente que o turismo deste ano sofreu algumas alterações: o tempo de visita é mais curto, os recursos são escassos e a oferta da cidade enfrenta vários constrangimentos. Pelo menos, na amostra de opiniões que recolhemos, após inquirir alguns comerciantes da cidade.
No setor dos transportes turísticos, por exemplo, a mudança de hábitos reflete-se diretamente no tempo de permanência. Catarina Vargas, empresária dos tuk-tuks, observa que a afluência dos visitantes não sofreu uma redução drástica, mas nota uma clara diminuição no poder de compra dos turistas.
“Não há menos turistas, o número pode ser até bastante idêntico. A diferença que nós sentimos é que a capacidade financeira das pessoas que estão de férias é muito inferior à do ano passado”, explica a empresária. Catarina explica ainda que esta contenção com o dinheiro, levou os clientes a escolher viagens de menor duração: “Os passeios têm sempre uma duração inferior comparativamente aos grandes passeios que dávamos nos anos anteriores. As pessoas preferem passeios mais curtos porque vai refletir-se no preço final.”
Nas lojas do comércio tradicional, a perceção de dificuldades é igualmente expressiva. Lurdes Antunes, da loja “Rosa dos Ventos Templários”, assinala uma menor presença de grupos organizados e de turismo familiar, acompanhada por um consumo mais contido: “Sinto que existem ligeiramente menos turistas do que no ano passado e os que vêm têm menos capacidade económica para comprar.”
– Leia a reportagem de Jessica de Almeida na edição que vai esta quinta-feira para as bancas