O Centro Cultural da Levada, em Tomar, acolheu no passado sábado, 25 de julho, a sessão de debate “O que não se posta – Levada Talks”, uma conversa aberta dedicada ao impacto do uso prolongado das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes. O encontro reuniu psicólogas e especialistas do setor social para discutir estratégias de regulação emocional, os riscos da dependência do mundo digital e as novas orientações europeias para a proteção de menores no ambiente online.
Promovido no âmbito da Semana da Juventude, o painel contou com a intervenção de Ana Cardoso, em representação da Associação de Saúde Mental do Médio Tejo, da psicóloga Catarina Henriques, do empreendedor social João Francisco Lima e da psicóloga Catarina Barba que foi a oradora do painel. Ao longo do debate, os oradores sublinharam que o hábito contínuo de navegação passiva (o scroll) em plataformas digitais é frequentemente confundido com descanso, quando, na verdade, priva o cérebro de um repouso efetivo e inibe a capacidade de lidar com emoções desconfortáveis.
Durante a sua intervenção, Ana Cardoso, da Associação de Saúde Mental do Médio Tejo, explicou que o acesso imediato ao telemóvel surge muitas vezes como a resposta mais rápida ao cansaço diário. Contudo, alertou para os riscos desta prática se tornar na única estratégia de regulação emocional. “Quando começa a interferir de forma significativa na vida quotidiana e nas relações sociais, estamos perante um comportamento de risco. Os jovens perdem a noção do tempo porque o seu cérebro ainda não está totalmente desenvolvido na capacidade de autocontrolo”, sustentou.
Jessica de Almeida
Especialistas alertam em Tomar para os perigos do uso descontrolado das redes sociais em jovens
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