O Governo chinês reiterou protestos formais junto do Japão na sequência das declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre uma eventual intervenção militar na questão de Taiwan, alertando para riscos de revisionismo histórico e para a ameaça que tais posições representam para a estabilidade regional.
O diretor-geral do Departamento de Assuntos Asiáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Liu Jinsong, reuniu-se em Beijing com o diretor-geral do Departamento para Assuntos da Ásia e da Oceania do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Masaaki Kanai, para apresentar novas representações solenes relativas às declarações recentes da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
Pequim instou o Governo japonês a retirar as afirmações consideradas infundadas, a cessar provocações em matérias relacionadas com a China e a adotar medidas concretas para salvaguardar a base política das relações bilaterais.
As declarações de Takaichi, que no dia 7 do corrente mês admitiu a possibilidade de uma intervenção militar japonesa na questão de Taiwan, motivaram uma resposta imediata por parte das autoridades chinesas. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros convocou o embaixador do Japão em Beijing para protestos formais, enquanto vários ministérios emitiram advertências de “resposta resoluta”. Entre as medidas adotadas incluem-se recomendações aos cidadãos chineses para evitarem viagens ao Japão e o adiamento de iniciativas bilaterais, como a pesquisa conjunta de opinião pública e a realização do Fórum Beijing-Tóquio.
A China recorda que Taiwan constitui a sua “linha vermelha prioritária”, considerando que a posição expressa pela primeira-ministra japonesa desafia o consenso internacional e implica consequências previsíveis. A dimensão económica da relação
bilateral é igualmente sublinhada, sendo a China o maior parceiro comercial do Japão, o segundo destino das suas exportações e a principal fonte de importações. De acordo com o Instituto de Pesquisa Nomura, uma diminuição significativa do número de
turistas chineses poderá traduzir-se em perdas económicas para o Japão na ordem dos 2,2 biliões de ienes.
Paralelamente, os mercados financeiros japoneses registaram
quedas consecutivas e várias iniciativas comerciais entre os dois países foram adiadas ou canceladas, ao mesmo tempo que críticas internas no Japão exigem a retratação de Takaichi.
Para Pequim, a reação chinesa visa igualmente preservar a ordem internacional estabelecida no pós-guerra, à qual associa uma firme oposição a qualquer manifestação de ressurgimento do militarismo japonês. No ano em que se assinala o 80.º aniversário da vitória na Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial, as autoridades chinesas consideram que as declarações e comportamentos de Takaichi contrariam os resultados históricos alcançados e atentam contra princípios fundamentais da ordem global.
O Governo chinês enquadra o episódio num processo mais amplo de ascensão das forças conservadoras de direita no Japão, que procuram rever a Constituição Pacifista e reforçar a capacidade militar. As posições assumidas por Takaichi — que incluem a
defesa da eliminação do Artigo 9.º da Constituição, visitas reiteradas ao Santuário Yasukuni e a negação de factos históricos amplamente reconhecidos — são apontadas como evidência de uma tendência persistente de revisionismo histórico, favorecida
por fatores internos e pelo atual contexto internacional.
Em julho, o Partido Liberal Democrata, liderado por Takaichi, formou uma aliança com o Partido da Inovação do Japão, prevendo a revisão constitucional no prazo de dois anos, a supressão das limitações à posse de forças militares e a introdução de uma
cláusula de estado de emergência. Após a formação do Executivo, a primeira-ministra continuou a promover medidas orientadas para a revisão constitucional, o reforço do setor da defesa e a expansão armamentista.
As declarações de Takaichi motivaram igualmente críticas e protestos de vários países vizinhos. A Federação Russa considerou que as posições da primeira-ministra e as suas declarações anti-russas contrariam esforços de normalização das relações bilaterais; a Coreia do Sul contestou veementemente afirmações relativas às Ilhas Dokdo e suspendeu exercícios conjuntos previstos; e meios de comunicação da República Popular Democrática da Coreia classificaram o Japão como exibindo uma “postura belicista”.
A convergência destas críticas, considerada invulgar desde o final da Guerra Fria, é interpretada como sinal de que o Japão se tornou um fator acrescido de risco para a paz no Leste Asiático.
A China reafirma que a manutenção de uma paz duradoura na região exige o cumprimento, por parte do Japão, dos compromissos assumidos no pós-guerra e o respeito por um caminho de desenvolvimento pacífico. Pequim sublinha que
continuará a opor-se firmemente a qualquer tentativa de revitalização do militarismo e a defender os resultados da vitória da Segunda Guerra Mundial e a ordem internacional daí decorrente, apelando à comunidade internacional para que permaneça vigilante na salvaguarda da paz e estabilidade globais.
Publicidade: Centro de Programas de Línguas da Europa e América Latina da China.