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Professor José Joaquim lança livro sobre o barro da Asseiceira

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Ana Isabel Felício
Comecei a trabalhar no Jornal Cidade de Tomar em 1999. Já lá vão uns anitos. Depois de sair da Universidade e de todas as dúvidas e dificuldades que surgem, foi-se construindo um caminho de experiência, com muitas situações, muitas pessoas, muitas aventuras e, claro, muito trabalho. Ao fim de todos estes anos, apesar de todos os percalços que a vida nos vai dando, cá estou, todos os dias a fazer o meu trabalho o melhor que sei, aprendendo com os que me rodeiam e também ensinando alguma coisa.

Vai ser lançado, no próximo domingo, dia 20 de novembro, às 16h00, no Centro Cultural de Asseiceira, o livro “Asseiceira: a arte de trabalhar o barro vermelho”, da autoria de José Joaquim Marques, que esteve no Jornal/Rádio Cidade de Tomar, onde falou da obra e da olaria em Asseiceira.

– Quem o conhece sabe que está ligado ao folclore e à etnografia, agora vai lançar este livro. É o seu primeiro livro?

Este livro, que eu gostava de fazer já há muito tempo, também versa essas temáticas, mas não é o meu primeiro livro. Tenho outros trabalhos que fiz com a Fundação Maria Dias Ferreira, em Ferreira do Zêzere, isto porque em 1972 dei aulas em Ferreira do Zêzere e fiz vários projetos com os alunos sobre o concelho, sobre etnografia e folclore e tirei muitos apontamentos, assim como fiz recolha de terreno. Entretanto, a Fundação pediu-me colaboração no âmbito do que recolhi aliado à história dos grupos de folclore de Ferreira e, então, lançámos três livros e um outro em que só colaborei.

– Mas, a par desses livros, este assume ainda maior importância?

Sim, este é muito importante. Em 1972 tinha bastante ligação com o Inatel, porque comecei a fazer teatro com oito anos e o grupo de teatro de Asseiceira estava ligado ao Inatel. Entretanto, conheci o diretor delegado de Santarém e criámos uma amizade. Há algum tempo o José Oliveira Figueiredo contatou-me no sentido de saber se tinha alguma coisa sobre barro e, de facto, tinha recolhas feitas em 1972 de olaria e chocalhos, de um trabalho que fiz para a Junta Central de Turismo.

– Foi fácil fazer esta recolha sobre a olaria?

Já tinha apontamentos de 1972, assim como entrevistas e, atualmente, a arte da olaria ainda está viva na Asseiceira, apesar de contar com dois oleiros na casa dos 90 anos e o José Miguel trouxe atividade a esta arte de geração em geração. Ainda lá estão os dois oleiros, sobre os quais fiz recolhas em 1972. Também falei com outras pessoas, exemplo do tio do José Miguel que vive em Ourém e que sabe muita coisa. Trata-se de um livro de recolha de terreno com atualização, apesar de não haver muita atualização na olaria. Quem liderou este processo foi o Dr. André Camponês, que tratou da candidatura da Festa dos Tabuleiros a património nacional. Conheci-o porque, na data, para essa candidatura, a vereadora indicou o meu nome para falar sobre a Festa e foi aí que o conheci. A primeira reação favorável para avançar foi da Câmara de Tomar. O José Miguel também fazia questão que este livro avançasse e avançou com quatro patrocinadores, a câmara, a Junta de Freguesia de Asseiceira, o José Miguel e um outro senhor ligado ao barro que é de Leiria, mas vem à Asseiceira buscar o barro. (…)

Entrevista na íntegra na edição impressa de 18 de novembro.

Ana Isabel Felício/Elsa Lourenço

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