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O “Cidade de Tomar” recebeu este artigo de uma jovem/estudante tomarense sobre o fecho das escolas. Publicamos o texto na íntegra:

Há sensivelmente uma semana ouvi dizer que as escolas não fechavam para “não voltar a sacrificar a atual geração de estudantes”. Está é a opinião do nosso primeiro ministro.

Querido primeiro ministro, eu prefiro perder um ano de escola e puder voltar a ver a minha bisavó de 97 anos. Eu prefiro perder um ano de escola em nome do bem comum. Em nome de um futuro para o país e para o mundo.

Um confinamento com os estabelecimentos de ensino abertos não é um confinamento.

Para além dos alunos que têm independência para se deslocar à escola e voltar a casa, temos os alunos mais novos ou que moram fora da cidade. Nestes casos os pais também circulam pelas ruas.

Mas este não é o pior caso. Estes, na maioria das vezes, andam de carro. O pior são os pais que não têm carro e precisam de levar e trazer as crianças mais novas à escola. Isto e as filas para os entregar/esperar à porta da escola como observo na minha cidade.

E não esquecendo, ainda no caso dos alunos que não têm uma casa na cidade, onde ir almoçar, e têm aulas de manhã e de tarde. Onde passam as horas de almoço estes? Vão buscar um take-away e almoçam pelas ruas? Nem uma mesa onde se sentar têm.

Já para não falar nos transportes públicos que muitos alunos precisam de apanhar para se deslocarem até à escola.

Eu sou uma menina privilegiada nesta quarentena. Vivo a 10 minutos, a pé, da escola. Posso vir comer todos os dias a casa sem qualquer problema. Mas no início da pandemia eu vivia a 12km da escola, e necessitava de almoçar pela cidade. Felizmente para mim, nessa altura as entidades de saúde e os responsáveis pela gerência do país tiverem mais discernimento e mandaram-nos confinar. Confinar a todos. Sem exclusões. Porque aquilo que vivemos agora está longe de ser um confinamento.

Inês de Oliveira Branco, 18 anos, Tomar

Foto: DN

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